Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket O Tronco da Teia

domingo, agosto 17, 2003

9:30 da tarde
Tesouro escondido

Embora a maioria do cinema comercialmente distribuído seja em língua inglesa, poucos são aqueles produzidos em Inglaterra. Mas as terras de sua majestade têm uma desenvolvida indústria de cinema e uma larga tradição na comédia.
Antes dos Monty Python, Sim Sr. Ministro, “Quatro Casamentos e Um Funeral” e “O Diário de Bridget Jones”, a comédia já era um género muito popular para os britâncos, que não se cansaram de produzir muitos exemplos do género, desde a inenarrável série “Com Jeito Vai…” até à brilhante comédia negra “The Ladykillers”, onde estão, só para citar os que nos lembramos assim de repente, Alec Guiness e Peter Sellers.
No meio de uma produção que chega a ser de centenas, é fácil a um filme passar despercebido, ou, pelo menos, ir perdendo alguma visibilidade com o passar dos anos. Não sabemos exactamente se “Passaporte para o Paraíso” é um desses casos, ou se, pelo contrário, ocupa algum lugar especial nas listas dos cinéfilos ou se é aquilo que se designa hoje em dia chamar de filme de culto.
Em Portugal (onde julgamos que nunca teve distribuição comercial), pelo menos, não temos ideia de este filme ser muito citado e mesmo a nível internacional não aparece nas listas das grandes comédias, lugar onde julgamos merece estar. Por isso, mesmo correndo o risco de estar a chover no molhado e dizer algo que já toda a gente disse, “O Tronco da Teia” dedica hoje algum do seu espaço a “Passaporte para o Paraíso”.


“Passaporte para o Paraíso”(“Passport to Pimilico”)
Ano: 1949
Realizador: Henry Cornelius
Actores: Stanley Holloway (Arthur Pemberton), Betty Warren (Connie Pemberton), Barbara Murray (Shirley Pemberton), Paul Dupuis (Duque de Burgundy), John Slater (Frank Huggins), Jane Hylton (Molly Reed), Raymond Huntley (Sr. Wix) e Margaret Rutherford (Prof. Hatton-Jones).
Disponível e VHS e DVD, embora nunca tenhamos visto qualquer um deles em Portugal (o que não quer dizer que não exista). Quanto a nós, sempre que queremos regressar a Pimlico, recorremos a uma velha cassete de vídeo já cheia de riscos gravada há muitos anos de uma daquelas sessões da RTP2.

O que fazer quando um bairro de Londres descobre que é um território independente do Reino Unido? Fecham-se fronteiras, regulamenta-se o comércio externo e cria-se um governo, pois claro. É precisamente o que acontece em Pimlico, onde uma bomba esquecida da II Guerra Mundial explode e revela alguns documentos que provam a independência do bairro e dos seus moradores face à autoridade da coroa britânica.
Na Inglaterra do pós-guerra e em forte regime de racionamento, esta inesperada aliança à Borgonha cria um clima de insurreição civil pacífico entre os moradores de Pimilico face às autoridades que não sabem muito bem o que fazer. Com a liberdade adquirida, os habitantes da Nova Borgonha decidem fechar as fronteiras, acabar com o racionamento e têm liberdade para fixar os preços. E claro, é preciso nomear um ministro das finanças para gerir o tesouro que foi encontrado com os documentos.
“Passaporte para o Paraíso” é um daqueles filmes que tem uma fantástica ideia de partida e que a desenvolve na perfeição. Para além do mais, conta com um elenco seguro composto por excelentes actores ingleses, do qual destacamos Stanley Halloway (o Alfred P. Doolittle de “My Fair Lady”) e Margaret Rutherford (que seria a mais memorável Miss Marple).
Sabemos que “Passaporte para o Paraíso” será um filme muito difícil de encontrar e que só poderá ser adquirido recorrendo à importação. Mas se tiverem oportunidade de ver este filme, quer seja em casa de um amigo, numa sessão qualquer da cinemateca um num canal de televisão a horas impróprias, não hesitem. Vale bem a pena.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

2:36 da manhã
Está tudo nos reflexos

É um dos cineastas mais subvalorizados da actualidade. “O Tronco da Teia” é um fã incondicional de John Carpenter e de praticamente todos os seus filmes e não consegue entender por que razão filmes como “Fuga de Los Angeles”, “Vampiros” e “Fantasmas de Marte”, só para citar alguns dos mais recentes, não foram grandes sucessos e são menosprezados pela crítica americana, que olha para os seus filmes como objectos menores como tentativas falhadas de reproduzir os seus filmes de início de carreira, marcados por enorme imaginação e baixos orçamentos.
Não nos interpretem mal. “Assalto à 13ª Esquadra”, “Halloween”, “Nova Iorque 1999” e “O Nevoeiro” são filmes muito apreciados aqui n’ “O Tronco da Teia”, mas consideramos que a carreira de Carpenter não acabou a partir do momento em que os grandes estúdios lhe deram dinheiro para fazer filmes. Se tal tão tivesse acontecido, nunca teríamos tido o belíssimo “Starman”, “Christine”, “Memórias do Homem Invisível” ou este “As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim”, filme recordado hoje por “O Tronco da Teia”, que promete mais Carpenter no futuro.


“As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim”
(“Big Trouble in Little China”)
Ano: 1986
Realizador: John Carpenter
Actores: Kurt Russell (Jack Burton), Kim Catrall (Gracie Law), Dennis Dun (Wang Chi), James Hong (David Lo Pan), Victor Wong (Egg Shen), Kate Burton (Margo, Donald Li (Eddie Lee) e Suzee Pai (Miao Yin).
Disponível em VHS e DVD. Na contracapa da edição portuguesa em DVD (que será sem dúvido um objecto de colecção no futuro, tal como um selo mal impresso), Jack Burton aparece referenciado como um viciado em cocaína. E não se deixem enganar pela capa, é Mandarim e não Mandarin.

Quem pensa que foi “Matrix” a recuperar os filmes de artes marciais produzidos em Hong Kong e a utilizar, engana-se. Quase 15 anos antes do filme dos irmãos Wachowski, John Carpenter utilizou a Chinatown em São Francisco como cenário para “As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim”, filme que combina artes marciais, mitologia chinesa, fantasmas, romance e humor.
A história gira à volta de Jack Burton, um camionista pouco dado a coisas heróicas, mas que resolva a ajudar o amigo Wang a salvar a sua noiva de olhos verdes das garras do pérfido Lo Pan, uma figura sinistra que governa Chinatown. Pelo meio, encontram lutas de gangs rivais, magia negra, monstros, combates aéreos de kung fu e uma série de infernos diferentes (como o inferno dos pecadores de cabeça para baixo ou o inferno do dragão oleoso). E não nos podemos esquecer de Kim Catrall, muito antes da fama entretanto recuperada em “Sexo e a Cidade”.
“Jack Burton” foi um fracasso na altura da estreia e só mais tarde é que começou o culto em redor deste filme. Para nós, esse fascínio começou precisamente no ano em que passou nas salas portuguesas, ainda sem sabermos o que significava exactamente a expressão objecto de culto. É verdade, a interpretação de Kurt Russel como uma espécie de John Wayne camionista que não sabe disparar uma arma poderá ser exagerada, é verdade que algum daquele misticismo pode parecer ridículo, mas é a nossa opinião que faz tudo parte do encanto.
Para terminar, não resistimos a reproduzir um dos monólogos iniciais de Jack Burton, enquanto está ao volante do seu camião: “When some wild-eyed, eight-foot tall maniac grabs your neck, taps the back of your favorite head up against the barroom wall, looks you crooked in the eye and asks you if ya paid your dues, you just stare that big sucker right back in the eye, and you remember what ol' Jack Burton always says at a time like that: ‘Have you paid your dues, Jack?’ ‘Yes sir, the check is in the mail.’”
Se há filme que merece ser recordado, é este.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

quinta-feira, agosto 14, 2003

10:16 da tarde










Sabemos que já está com algum tempo de atraso, mas não podemos deixar de assinalar a data de nascimento de Alfred Hitchcock. Foi no dia 13 de Agosto de 1899, em Londres, que nasceu, filho de William e Emma Hitchcock. Morreu a 29 de Abril de 1980. Se hoje fosse vivo, teria 104 anos. Já agora, aproveitem e vejam algum filme do mestre. É o que vou fazer.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

8:19 da tarde
Os escândalos dos candidatos

Como já foi amplamente divulgado aqui n’ “O Tronco da Teia”, Arnold “Terminator” Schwarzenegger é o candidato republicano ao cargo de governador do estado da Califórnia.
Como consequência, nenhum dos seus filmes poderá ser exibido na televisão até à data do escrutínio marcado para 7 de Outubro. A associação nacional de teledifusores aconselhou os seus membros a não transmitirem filmes do austríaco, que podem ser considerados como tempo de antena. Logo, como nenhum dos outros 247 candidatos foi estrela de filmes como “O Extreminador Implacável” ou “Predador”, todos terão de ter tempo de antena equivalente na televisão.
Por saber está a possibilidade de retirar dos cinemas “O Extreminador Implacável 3: Ascensão das Máquinas”, que também pode ser considerado, na nossa modesta opinião, como propaganda eleitoral. Não sabemos também se o “body of work” (onde se contam os títulos “Busty Dildo Lovers 4” e “Big Blowout”) da actriz de filmes para adultos Mary Carey (e não Mariah Carey como alguém pode erradamente escrever) serão temporariamente retirados de circulação, já que ela também é uma das candidatas.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

quarta-feira, agosto 13, 2003

8:43 da tarde
Heróis esquecidos

“O Tronco da Teia” decidiu fazer uma pausa na sua demanda em recuperar para a memória dos cibernautas cinéfilos os filmes que foram caindo no esquecimento (uma tarefa intelectualmente estimulante, mas ao mesmo tempo extenuante) e dedica hoje, como forma de divertimento ligeiro (mas que também tem o seu valor), o seu espaço a essas figuras esquecidas que são os homens e as mulheres que têm por responsabilidade inventar os títulos para os filmes pornográficos a partir de filmes “mainstream”.
Sem esses/essas heróis/heroínas anónimos/anónimas, nunca teríamos a oportunidade de ver nas capas daqueles filmes que estão arrumados a um canto discreto do videoclube títulos como “O Rabinho dos Bosques” ou “Apoclimax Now”. A recolha que se segue, confessamos, não é da autoria de “O Tronco da Teia”. Este exaustivo trabalho é da autoria da revista britânica de cinema “Empire”, a que “O Tronco da Teia” acrescenta os títulos em português, também esse idealizados por pessoas cheias de imaginação. Nesta lista está tudo, desde o óbvio "Backside to the Future" até ao inesperado "Intercourse with a Vampire".


Tí­tulos seleccionados

Interview with a Vampire
Entrevista com o Vampiro
Intercourse with a Vampire

The Terminator
O Extreminador Implacável
The Sperminator

Driving Miss Daisy
Miss Daisy
Driving Miss Daisy Crazy

Edward Scissorhands
Eduardo Mãos-de-Tesoura
Edward Penishands

Dr. No
O Agente Secreto
Dr. Yes

Jurassic Park
Parque Jurássico
Juranal Park

A Few Good Men
Uma Questão de Honra
A Few Good Rears

Full Metal Jacket
Nascido para Matar
Full Metal Bikini

The Last Action Hero
O Último Grande Herói
The Last Anal Hero

Rear Window
Janela Indiscreta
Rears in Window

Single White Female
Jovem Procura Companheira
Single Tight Female

Action Jackson
Homem de Acção
Satisfaction Jackson

The Nutty Professor
O Professor Chanfrado
The Slutty Professor

Top Gun
Ases Indomáveis
Top Buns

Splendor in the Grass
Esplendor na Relva
Splendor in the Ass

Cape Fear
O Cabo do Medo
Cape Rear

Aracnophobia
Aracnofobia
Erectophobia

Dick Tracy
Dick Tracy
Tracy Dick

Back to the Future
Regresso ao Futuro
Backside to the Future

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

terça-feira, agosto 12, 2003

10:20 da manhã
Tap dancing


A notícia é triste. Morreu Gregory Hines, actor, bailarino e extraordinário artista do tap dancing (sapateado), vítima de cancro aos 57 anos. Toda a sua carreira no mundo do espectáculo foi feita a partir das suas fantásticas habilidades como bailarino.
Começou a aprender sapateado aos três e estreou-se no palco do Apollo aos seis. Aos oito estreou-se na Broadway, e passou a actuar num trio com o irmão Maurice e o pai. Em 1981, recebe a primeira das suas nomeações para os Tony (prémios do teatro), galardão que viria a alcançar em 1992. Na televisão conheceu o êxito com a sitcom “The Gregory Hines Show”.
Só no cinema não teve uma carreira muito fulgurante. Estreou-se no cinema com Mel Brooks em “A Mais Louca História do Mundo: Parte I” e teve algumas participações pouco memoráveis em filmes como “O Sol da Meia-Noite”, “Renaissance Man” e “Tap – A Dança das Duas Vidas”, onde contracenou com outro lendário dançarino Sammy Davis Jr. Foi a primeira escolha para o papel de Eddie Murphy em “48 Horas”, mas preferiu arriscar com Francis Ford Coppolla e “Cotton Club”, onde criou um inesquecível Sandman Williams.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

sábado, agosto 09, 2003

8:12 da tarde
Mulheres e armas

Afinal caros leitores de “O Tronco da Teia”, não vai haver nos próximos tempos a edição especial em DVD de “Os Tarados do Rio Louco”, porque parece que estão à espera que apareça uma sequela.
Enquanto aguardamos ansiosamente por “Os Tarados do Rio Louco II”, é altura para ir buscar mais outra velharia ao baú, desta vez um filme de espionagem “high-tech”, injustamente deixado de lado quando se referem os “clássicos” do género como a série de James Bond ou “Missão Impossível”.
Lembram-se das “Chicks with Guns” que aparecem no “Jackie Brown” de Quentin Tarantino? A entrada de hoje em “O Tronco da Teia” recupera hoje um dos pontos altos da cinematografia de um homem que dedicou toda a sua vida à associação de mulheres e armas. Falamos de Andy Sidaris e o título hoje em destaque é “Missão no Havai”.

“Missão no Havai”
(“Hard Ticket to Hawaii”)
Ano: 1987
Realizador: Andy Sidaris
Actores: Ronn Moss (Rowdy Abilene), Dona Spier (Donna Hamilton), Hope Marie Carlton (Taryn), Harold Diamond (Jade), Rodrigo Óbregon (Seth Romero), Cynthia Brimhall (Edy), Patty Duffek (Pattycakes), Wolf Larson (J.J. Jackson) e Lory Green (Rosie).
Disponível em VHS e DVD, incluído numa colecção com mais três filmes de Andy Sidaris



As estrelas são quatro belezas saídas das páginas da Playboy e um actor de telenovelas. “Missão no Havai” é um filme de acção na grande tradição dos clássicos do género e, como o título indica, decorre no arquipélago do Havai. Conta a história de duas agentes do FBI (Spier e Carlton) que se intrometem no caminho de um poderoso traficante de droga.
Filmado como continuação de “Malibu Express”, “Missão no Havai” é muito mais que uma mera exploração comercial do sucesso do seu antecessor. À primeira vista, “Missão no Havai” pode parecer uma exploração barata do corpo feminino e Sidaris pode ser encarado como um porco machista que só pensa em encher o ecran de mulheres nuas. Nada mais falso. Sidaris é, acima de tudo um cineasta com convicções profundas no que diz respeito à igualdade dos sexos e, atrevemo-nos a afirmar, até um pouco feministas.
Numa altura em que as estrelas de cinema mais bem pagas são homens, Sidaris faz uso do seu estatuto de “outsider” em relação aos estúdios de Hollywood e coloca como as mulheres como estrelas de primeira grandeza, transformando as “coelhinhas” da Playboy (ostracizadas e diminuídas pelos seus corpos) em actrizes de primeira grandeza e credíveis como mulheres fortes, inteligentes e dispostas a inverter a noção de que os homens são o sexo forte.
Momentos a ter em atenção: quando as duas agentes se preparam para examinar algumas provas, decidem despir-se e tomar um relaxante banho num jacuzzi; quando uma cobra mutante sai disparada de uma sanita.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

sexta-feira, agosto 08, 2003

10:37 da tarde
Episódio IV

Boas notícias. Recebi hoje uma comunicação de uma grande distribuidora em Portugal a dizer que vai ser relançada uma versão restaurada em DVD e com numerosos extras de "Os Tarados do Rio Louco", que, se bem se lembram, foi objecto de análise no post de estreia de "O Tronco da Teia". Segundo sei, a dita distribuidora está a tentar capitalizar o grande interesse gerado pela recuperação deste injustamente esquecido filme está a ser tão grande (até a nível internacional). Aqui n' "O Tronco da Teia", esperamos que esta ideia não fique por concretizar.
Uma notícia que está a encher as páginas dos jornais e a ocupar largos minutos do noticiário televisivo é o anúncio oficial da candidatura de Arnold Schwarzenegger a cargo de governador da Califórnia (algo que já tinha sido antecipado aqui no "O Tronco da Teia") pelo Partido Republicano (tal como Ronald Reagan).
Pelo que li nos jornais, qualquer um pode candidatar-se a governador da Califórnia se recolher 65 assinaturas e pagar 3500 dólares (para quem pensa que é barato, no Louisiana custa apenas 750 dólares). Entre os candidatos (que são cerca de 500), para além do "Terminator", estão Larry Flynt, fundador da revista "Hustler" e dono de um vasto império na pornografia, Darrel Issa, milionário que fez a sua fortuna em alarmes para carros, Angelyne, cantora, actriz e personalidade de Los Angeles, que escreveu um argumento com o título "The Bra that ate LA", Gary Coleman, o diminuto actor da sitcom "Different Strokes, William Pratt, um estudante de liceu em LA, e Mary Carey, uma actriz porno.


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Por Eduardo D. Madeira Jr.

quarta-feira, agosto 06, 2003

1:16 da tarde
Alvalade XXI

E porque o futebol também é cultura (pelo menos dá mais audiências), "O Tronco da Teia" faz hoje uma breve pausa na sua tarefa de arqueologia cinéfila para assinalar a abertura de portas do novo Estádio José Alvalade. Para o dia de abertura, não vai haver fogo de artifício e não está confirmado se os adeptos invisuais estarão nos lugares atrás dos ecrãns medianamente grandes. Quem sabe, talvez no futuro este dia possa vir a dar um filme, talvez até para ser aqui relembrado se entretanto cair no esquecimento.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

terça-feira, agosto 05, 2003

11:21 da tarde
Schwarzenegger para conhecedores

Três comentários no primeiro post. Não está mal, mas faço um apelo aos milhares de cibernautas consumidores de blogs que diariamente consultam “O Tronco da Teia” para correrem riscos e deixarem a respectiva opinião, ou insultarem o autor, como preferirem.
Enquanto me vou familiarizando com esta coisa dos blogs – mesmo não parecendo, pelo design e conteúdo altamente profissional, ainda sou um amador – farei os meus possíveis para manter actualizada esta pequena sala de cinema nesse grande multiplex que é a blogosfera.
Hoje para o sempre difícil segundo post (é sempre difícil repetir a magia do primeiro), e porque “O Tronco da Teia” gosta de andar de mãos dadas com a actualidade, iniciamos uma série dedicada a um conhecido actor austríaco que no seu país de origem até tem um estádio de futebol com o seu nome (é o estádio do Sturm Graz). Falamos, naturalmente, de Arnold Schwarzenegger, candidato a candidato ao cargo de governador do estado da Califórnia (cargo que já foi ocupado por Ronald Reagan), e que pode neste momento ser visto nas salas portugueses em “O Extreminador Implacável 3 – Ascensão das Máquinas”.
É verdade que “O Extreminador Implacável” “Conan” e “O Predador” ajudaram a consolidar a sua posição na sétima arte, e todos sabem que o seu primeiro filme nos EUA foi “Hércules em Nova Iorque”. Outros filmes, que Schwarzenegger provavelmente quer esquecer, são muitas vezes ignorados. Falamos dessa triologia de filmes cujo título é composto por uma palavra: “Comando”, “O Massacre” e “O Gladiador”.
Comecemos por “Comando”.

“Comando”
(“Commando”)
Ano: 1985
Realizador: Mark L. Lester
Actores: Arnold Schwarzenegger (John Matrix), Rae Dawn Chong (Cindy), Dan Hedaya (Arius), Vernon Wells (Bennett), James Olson (Gen. Kirby), David Patrick Kelly (Sully), Alyssa Milano (Jenny Matrix) e Bill Duke (Cooke).
Disponível em VHS e DVD

O filme em que Schwarzenegger afirma comer Boinas Verdes ao pequeno-almoço. Arnie é um militar na reserva, ex-chefe de um grupo qualquer de forças especiais (marines, seals, escolham) a quem raptam a filha (Alyssa Mylano, a fazer a sua transição para o cinema na altura em que era estrela da televisão em “Who’s the Boss”, antes de se despir em filmes como “Poison Ivy II”).
O bom do Matrix é obrigado a participar numa missão de assassinato a um presidente de uma qualquer república das bananas (Val Verde, que mais parece o nome de um empreendimento turístico) que havia ajudado a colocar no poder, mas o seu sentido de dever e justiça fazem-no embarcar por caminhos diferente. Em vez de aceitar as condições do sinistro Arius (Dan Hedaya), resolve embarcar numa demanda solitária para manter a democracia nesse país que fica à distância de uma curta viagem de avião dos EUA (será Cuba?).
Sem querer desvendar demasiado da história, Arnie jura de morte todos os que lhe raptaram a filha e mataram o cão (não me lembro se há ou não um cão, mas se não há, devia haver) e cumpre a promessa das mais variadas maneiras, uma das quais envolve a cabeça de um inimigo e uma serra.
O que pode parecer à primeira vista como apenas mais um daqueles filmes irreais de um homem contra um exército, é, na verdade, um inesperado exercício na aplicação da concepção nietzscheziana do Super Homem, um ser que já atingiu um estado em que já não é afectado pela religião e pela sociedade. Está acima da piedade, do sofrimento e da tolerância pelos mais fracos. Schwarzenegger/Matrix tem os seus próprios valores, cria as suas próprias regras e está em constante mutação para poder mudar o mundo, ou qualquer coisa assim do género.
E estejam atentos ao carro que se farta de levar porrada e que, poucos segundos depois, aparece impecável e pronto a atacar as estradas. Imperdível.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

sábado, agosto 02, 2003

2:16 da tarde
Olá e bem vindos ao "O Tronco da Teia", o blog comprometido em trazer de volta ao pensamento cinéfilo os grandes clássicos esquecidos do cinema. Não será apenas para falar desse filme mudo perdido do John Ford que foi descoberto na cinemateca de Praga ou os filmes caseiros do Kevin Smith filmados em New Jersey. Não. Entre as estrelas que irão preencher este autêntico Sunset Boulevard cibernético estarão esses grandes génios do cinema como Jamie Uys (da glória conquistada com "Os Deuses devem estar Loucos" ou "Gente Gira II"), Michael Winner (o arquitecto que esteve na génese dos três primeiros filmes da srie "Death Wish", com Charles Bronson) ou George Pan Cosmatos (o italiano que teve os seus melhores dias nas colaborações com Stallone em "Rambo II: A Vingança do Herói e "Cobra").

A abrir este Blog, uma pérola esquecida do século passado, "Os Tarados do Rio Louco" (1984), de Richard Butler. Oportunidade para recordar um actor mí­tico do nosso imaginário, o sempre jovem colegial Tim Matheson.

"Os Tarados do Rio Louco"
("Up the Creek")
Ano: 1984
Realizador: Richard Butler
Elenco: Tim Matheson (Bob McGraw), Stephen Furst (Gonzer), James B. Sikking (Tozer), Dan Monaham (Max) e Jennifer Runyon (Heather Merriweather).
Não tem edição em DVD. Lançado em Portugal pela Video Time em formato VHS e faz aparições regulares no Canal Hollywood. Disponível no site eBay a um preço (em dólares)
entre 1,87 (edição VHS) e 29,99 (edição Laserdisc)

Em termos de cinema, os anos 80 ficaram marcados pela grande popularidade das comédias juvenis carregadas de sexo e cerveja. Os protagonistas eram geralmente estudantes liceais ou universitários que dedicavam todos os seus esforços na busca de bebidas alcoólicas e em fornicar tudo o que mexe, no fundo, uma perspectiva libertina da vida, quase como um "carpe diem", ou uma resposta ao autoritarismo imposto pelos anos Reagan. Neste género que marcou uma época surgiram obras de grande impacto como "Porky's", "Porky's II: O Dia Seguinte", "A Vingança de Porky's", "Animal House" ou a série israelita (que já vai em nove capí­tulos, o último dos quais datado de 2001) "Gelado de Limão".
"Os Tarados do Rio Louco" é um dos filmes-síntese desta escola. O argumento é um exemplo do género - os piores alunos de uma universidade são obrigados a participar numa corrida de barcos - e alguns dos actores são veteranos deste tipo de comédias: Tim Matheson e Stephen Furst repetem as criações que os celebrizaram em "Animal House", enquanto Dan "Pee Wee" Monaham mantém a sua "personna" construí­da durante os três filmes da série "Porky's".
O filme de Butler, veterano cineasta da televisão (trabalhou em séries como "Modelo e Detective", "Columbo" ou "A Balada de Hill Street"), é um produto exemplar de contra-cultura. Para além de anti-militarista (os alunos da academia militar são os mais ridicularizados), e anti-puritano (são frequentes as cenas em que as raparigas se despem) exibe de forma bem óbvia o seu ódio pelo modo de vida yuppie no confronto entre os betinhos das boas universidades e os párias da sociedade que representam a Universidade Lepetomaine. No final são mesmo os excluídos que levam a melhor e é o seu líder (McGraw) quem triunfa no amor.
Para além de tudo o que já foi dito, outro dos motivos que torna "Os Tarados do Rio Louco" num filme memorável é a única aparição simultânea no grande ecrâ de Julie Caspell e Gina Barbisan, que aparecem creditadas, respectivamente, como Chesty Girl (rapariga de seios grandes) nº1 e Chesty Girl nº2. Infelizmente, nem Julie, nem Gina voltaram a trabalhar juntas. Pelo menos no cinema não há qualquer registo de alguma vez terem voltado a trabalhar.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

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O Blog do cinema esquecido, o bom e o mau. Por Eduardo D. Madeira Jr

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