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terça-feira, dezembro 28, 2004

6:59 da tarde
Desperte a estrela porno que há em si!

Já alguma vez sonhou, caro leitor(a), em ser uma estrela de primeira grandeza do "metier" do cinema erótico explícito, vulgo actor (actriz) de filmes porno, mas nunca soube bem como entrar no negócio? Pois bem, têm agora uma oportunidade de ouro para testar vossos dotes como gemidor(a) profissional, através de uma maquineta de seu nome "Pornaoke". Adivinharam, é a versão x-rated desse destruidor de promissoras carreiras musicais inventado por japoneses que responde pelo nome de Karaoke.
Há uns tempos, como se devem lembrar, "O Tronco da Teia" divulgou ao mundo a existência de uma variação cinematográfica do Karaoke, o Movioke em que os candidatos a estrelas debitavam os diálogos das suas cenas favoritas. O Pornaoke funciona mais ou menos da mesma maneira. O candidato a Alexandre Frota ou a candidata a Linda Lovelace escolhem a o tipo de cena que querem interpretar. Há muito por onde escolher, desde uma cena de masturbação feminina (como a da Meg Ryan de "Um Amor Inevitável") atá ao sexo em grupo (perdoem-me os leitores defensores da lusofonia, mas vou deixar as especialidades em inglês, a tradução para português não lhes faz justiça): solo girl, solo guy, girl and girl, guy and guy, group sex, money shots, goin' down town, toilet fun e barnyard blitz. Depois, é gemer e gritar até que a voz vos doa.
Não sei bem onde surgiu esta nova moda (provavelmente no Japão ou na América), mas na Europa já há pelo menos um local onde se pode participar deste espectáculo, o Club Ego, em Edimburgo, na Escócia. E, para tornar as coisas mais interessantes, há prémios para as melhores interpretações nas várias categorias e para os melhores nomes, que são, claro, aqueles pequenos objectos de borracha para o "safe sex", vulgo preservativos. Já estou a ver: e o prémio preservativo da noite para a melhor cena de sexo em grupo vai para Maria Gustava dos Prazeres e Morais e a sua troupe (palmas). Estou a ver uma coisa destas a ter êxito em Portugal. "Oh si, si! Cariño si, si! Te gusta, si, si!", a relembrar esses clássicos das madrugadas do canal 18 (que agora são codificadas). Cá ficamos à espera para "check out the scenes and let out the screams!"

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

domingo, dezembro 26, 2004

1:30 da manhã
Não deixa de ser verdade

Com a devida referência ao nosso colega brasileiro Alexandre Soares Silva, aqui deixamos dois excertos de um post de 20 de Dezembro intitulado "Irresistível", que aconselho a ler na íntegra, aliás, acrescentem-no às vossas bookmarks:
- Coisas que todo crítico de cinema tem que dizer de qualquer filme: "um perfeito retrato da América de George W. Bush"; "na contracorrente do cinemão americano"; "na contramão dos padrões hollywoodianos impostos pela América de George W. Bush"; "o American dream tornado pesadelo"; e "o coração despedaçado de uma América em chamas".
- Coisas que blogueiros não resistem a postar: posts falando mal do Orkut; buscas estranhas que fizeram pessoas cairem no blog deles (como por exemplo “velha de pinto grande” ou “pessoas musculosas fazendo sexo em triciclos”); descrições de reuniões com blogueiros, que eles assumem que todo mundo conhece (ex: “estavam lá essas lendas vivas da internet, a Malu e o Coquinho” e “finalmente almocei com o Banana!”); confissões apaixonadas, muito gente-como-a-gente, de que preferem o povo à elite; textos em que chamam Olavo de Carvalho de “astrólogo” e “o auto-intitulado filósofo”; confissões de que gostam de breguice, de que são “pessoas profundamente apaixonadas pela vida”; indiretas misteriosas a blogueiros que ninguém conhece; letra de música; que eram contra Kerry, mas também não gostam do Bush; testes de personalidade; tiras; trechos de conversas no MSN que soaram witty na hora; que hoje não têm assunto, mas estão vivos.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

11:24 da tarde
Cuidado, vêm aí os...



Os convites já foram enviados, já comprámos a passadeira e o champanhe, o salão já está alugado e a transmissão televisiva já está garantida. São os "Cinema Blogs Academy Awards" da mui nobre ABCine, na sua primeira edição. Os membros (nós) já vimos os filmes todos que estrearam este ano (obrigado às produtoras pelos DVDs e K7 que nos enviaram, não se importem que fiquemos com elas, pois não?) e, pelo que nos foi possível constatar, adivinha-se uma luta cerrada pelo prémio de melhor maquilhagem. Dia 30 de Janeiro de 2005 será quando todas as dúvidas serão desfeitas, e assim até divulgamos os nossos prémios antes dos nossos grandes rivais, aqueles de Hollywood, dos quais eu nem vou dizer o nome para passarem despercebidos. Fiquem atentos, pode haver surpresas.


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Por Eduardo D. Madeira Jr.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

9:18 da tarde
O ataque dos clones


Bruce II: G'day, Bruce!
Bruce I: Oh, Hello Bruce!
Bruce III: How are you Bruce?
Bruce I: A bit crook, Bruce.
Bruce II: Where's Bruce?
Bruce I: He's not 'ere, Bruce.
Bruce III: Blimey, it's hot in here, Bruce.
Bruce I: Hot enough to boil a monkey's bum!
Bruce II: That's a strange expression, Bruce.
Para quem pensa que o diálogo que apresentámos é parte integrante de um sketch dos Monty Pynthon onde todos se chamam Bruce (depois aparece um tipo que chama Michael, mas que passa a ser Bruce para não confundir os outros e acabam todos a cantar que Kant Heidegger, Sócrates, Aristóteles, Descartes e outros filósofos eram uma cambada de bêbados), tem toda a razão. Mas também podia ser uma linha de diálogo do filme "Os Clones de Bruce Lee", a obra síntese de um sub-género do cinema de seu nome "bruceploitation", tradução literal, "exploração do bruce".
O por muitos proclamado o mestre das artes marciais morreu em 1973, com apenas 33 anos, mas a sua lenda continuou... a dar lucro. Muitos foram os filmes com Bruce Lee no título mesmo depois do próprio morrer. Algumas vezes esses filmes era remontagens de cenas que nunca foram utilizadas, filmagens de filmes caseiros misturadas com cenas filmadas na ocasião. Outros só tinham mesmo Bruce Lee no título. Lá dentro, era um tipo qualquer parecido a dar uns pontapés e a saltar para cima e para baixo.
Neste género, foram muitos os actores que se destacaram e os seus nomes são, no mínimo curiorosos, para não dizer escandalosamente aproveitadores: Bruce Le (nome verdadeiro Huang Kin Lung), Bruce Li (Ho Chung Tao), Drangon Lee (também conhecido com Bruce Lei), Bruce Leung (Leung Siu Lung), Bronson Lee, Bruce Chen, Bruce Lai, Bruce Liang e muitos outros.
Repetimos, Bruce Lee morreu em 1973, mas continuou a ter novos filmes. Uma simples busca no imdb dá 43 resultados com o seu nome no título, incluindo "Bruce Lee Fights Again" (1978), "Treasure of Bruce Lee" (1980), "Spirits of Bruce Lee" (1978), "Bruce Lee, D-Day at Macao" (1973), "Bruce Lee: His Last Days, His Last Nights" (1978), "Bruce Lee in New Guinea" (1978), "Ninja Vs. Bruce Lee" (1982), "The Black Dragon Revenges the Death of Bruce Lee" (1975), "Bruce Lee Vs. the Supermen" (1975), "Bruce Lee: The Man, the Myth" (1976), "Soul of Bruce Lee" (1977), "Bruce Lee Fights Back from the Grave" (1976), "Goodbye Bruce Lee: His Last Game of Death" (1978), o infame "The Clones of Bruce Lee" (1977) ou o enigmático "Bruce Lee Vs. Gay Power" (1975), um filme brasileiro cujo nome original é "Kung Fu Contra as Bonecas".
Naturalmente que ainda temos "Re-Enter the Dragon", sequela de "Enter The Dragon", "Enter the Game of Death", "The Young Bruce Lee" ou "Bruce Lee: Iron Finger" (apenas um dedo de ferro, não a mão inteira). Só não houve "Ilsa Meets Bruce Lee in the Devil's Triangle", um encontro entre dois dos grandes sub-géneros do "exploitation" (para quem não sabe quem foi Ilsa, leia o que o nosso amigo zombie escreveu). Mas temos muito por onde escolher, mesmo que o próprio Bruce Lee só tenha feito meia-dúzia de filmes.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

domingo, dezembro 12, 2004

3:38 da tarde
Sessão nostalgia, parte II

Lembro-me perfeitamente do primeiro filme que vi de Steven Spielberg, onde e quando. Foi, salvo erro, em 1982, numa das salas do entretanto desaparecido Alfas Triplex. Tinha sete anos e o filme era "Os Salteadores da Arca Perdida". Vi-o a primeira vez, vi-o outra vez no ano seguinte numa reposição de Verão. Foi o primeiro filme que me lembro de ter visto sem ser de desenhos animados (que naquela altura, como sabem, eram dobrados em português de samba) e foi o primeiro filme que gravei da televisão quando a então maravilhosa tecnologia da gravação em vídeo era a grande loucura do momento. Ainda tenho essa gravação, com todos os anúncios pelo meio e antes, uma curta de animação da Warner com o Speedy Gonzalez e o Silvester.
Devo ter visto essa cassete centenas de vezes. Não sei quantas, mas "Os Salteadores da Arca Perdida" é, seguramente, o filme que mais vezes vi na vida. É claro que depois veio o "pack" dos três filmes em cassete e eu (com dinheiro de outros) comprei e, mais tarde (há uns bons meses) veio o "pack" de DVDs e eu, claro, comprei. Enfim, "to make a long story short", desde "Os Salteadores da Arca Perdida", Spielberg tem vindo sempre a descer. Sei que é uma opinião polémica e os meus amigos leitores e leitoras estão à vontade para discordar. Mas atenção, não entro naquela questão de dizer que este é melhor que aquele, ou que aquele é melhor que o outro. Falo de fascínio e poucos filmes terão sobre mim esse poder - outro deles será, como já aliás o disse num outro post "Moonfleet", de Fritz Lang.
"Os Salteadores da Arca Perdida" está longe de ser um filme esquecido (antes pelo contrário), embora talvez não ocupe o lugar que merecia no topo da cinematografia Spielberg. O mesmo não acontece com o filme que lhe antecedeu, "1941 - Ano Louco em Hollywood", que é injustamente considerado por muitos como o "pior" de Spielberg, razão mais que suficiente para "O Tronco da Teia" o escolher como o prato do dia na ementa de hoje.

“1941 – Ano Louco em Hollywood”
(“1941”)
Ano: 1979
Realizador: Steven Spielberg
Elenco: Dan Aykroyd (Sgt. Frank Tree), John Belushi (“Wild” Bill Kelso), Ned Beatty (Ward Douglas), Lorraine Gary (Joan Douglas), Murray Hamilton (Claude Crumm), Christopher Lee (Cap. Wolfgang von Kleinschmidt), Tim Matheson (Cap. Loomis Birkhead), Toshiro Mifune (Cmdt. Akiro Mitamura), Warren Oates (Cor. “Madman” Maddox), Robert Stack (Gen. Joseph Stilwell), Treat Williams (Stretch), Nancy Allen (Donna), John Candy (Foley), Eddie Deezen (Herbie), Bobby Di Cicco (Wally), Frank McRae (Jones), Slim Pickens (Hollis Wood) e Wendy Jo Sperber (Maxine)
Existe DVD, mas no estrangeiro, num inesperado "director's cut" com mais meia-hora de filme. Senhores das editoras portuguesas, quando se lembrarem de editar este filme cá no burgo, não se esqueça de colocar uma referência na contracapa (não precisa de ser na capa, mas se quiserem...) "Recomendado por Eduardo D. Madeira Jr, de O Tronco da Teia"



Começamos com uma curiosidade (cortesia dos rapazes do imdb): John Wayne e Charlton Heston recusaram entrar em "1941" por considerarem que o filme era antipatriótico e gozava com os veteranos de guerra. Isto era em 1979. Agora avancem no tempo até aos dias de hoje e imaginem os nomes que iriam chamar a Spielberg se ele fizesse um filme sobre a paranoia militarista norte-americana, com soldados à porrada nas ruas de Hollywood, cidadãos com baterias anti-aéreas instaladas em casa ou generais que preferem ver o "Dumbo" a terem de se preocupar com a guerra?
"1941" passa-se, naturalmente, em 1941. Pearl Harbour tinha acabado de ser bombardeada pela aviação japonesa (excelente dossier sobre o assunto na National Geographic; por favor, não se contentem em ver aquele filme horroroso com o Ben Affleck) e os EUA reforçavam as fileiras aliadas na II Guerra Mundial. Hollywood está em estado de sítio, contra uma possível invasão das forças do Eixo. É a véspera de Natal e ninguém está sossegado.
Entra em cena um submarino japonês, com um oficial nazi a bordo que navega sorrateiramente à noite pelas praias californianas à procura de um local para o desembarque - ao que parece, segundo li algures, isto aconteceu mesmo. Mas o submarino não é sorrateiro o suficiente para evitar um encontro imediato com uma descontraída rapariga que se banhava desnuda ao luar, tudo, claro, ao som da música de Tubarão (para quem não sabia, a actriz também é a mesma que é desfeita em bocadinhos pelas mandíbulas do bicho no início do filme).
Só este primeiro minuto dá para ter uma ideia do que é "1941", a primeira e única vez que Spielberg tentou fazer uma comédia a sério (perdoem a contradição) na vida. Spielberg tinha demasiado dinheiro em mãos, depois dos sucessos de "Encontros Imediatos de Terceiro Grau" e "Tubarão", e carta branca dos estúdios para fazer o que quisesse. Contratou os actores que quis (temos, desde Dan Aykroyd e John Belushi, até Toshiro Mifune e Christopher Lee, passando por Robert Stack e Warren Oates) e construiu (e destruiu) os cenários que entendeu para filmar uma coisa vagamente parecida com um argumento. Resultado? O inevitável fracasso financeiro e crítico - é claro que depois o Steven viria a ganhar milhões logo a seguir com "Salteadores" e "ET".
Podia destacar muita coisa em "1941", a roda gigante a ser atacada por um submarino, os soldados japoneses a tentarem meter num submarino um rádio gigante e a comentarem "temos de fazer isto mais pequeno", Slim Pickens (o cowboy da bomba em "Dr. Estranhoamor") a sentado na sanita com uma pistola encostada à cabeça para evacuar uma bússola, a absolutamente fabulosa coreografia da cena do baile dos voluntários, a secretária do general que só consegue ter orgasmos dentro de um avião e o tenente que tenta desesperadamente levá-la para a cama (desculpem, para o avião), o calmo cidadão que vai destruindo a própria casa enquanto tenta perceber como funciona um canhão emprestado pelo exército, ou a inesquecível criação de John Belushi do Capitão "Wild" Bill Kelso, um piloto que persegue esquadrões imaginários de aviões japoneses pelos céus da Califórnia?
Enfim, um puro desperdício de dinheiro. Mas eu gosto.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

6:39 da tarde
REVOLUÇÃO

Bem-vindos ao novo (apenas na imagem) "Tronco da Teia". Despedimos os incompetentes web-designers e contratámos outros para remodelar o blog. Vamos continuar com o nosso conteúdo habitual e esperamos que os nossos caros leitores continuem a visitar-nos. Espalhem a mensagem, digam aos vossos amigos e familiares que "O Tronco da Teia" fez uma plástica e está melhor que nunca!

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

3:51 da manhã
Para já ficou tudo na mesma

"O Tronco da Teia" volta ao seu formato original, depois de alguns problemas ocorridos na remodelação gráfica. Mais novidades depois da gerência contratar web-designers novos.

O "Novo" Tronco da Teia

Quem entrar por aqui, ficará a pensar "enganei-me no sítio. Não pode ser, um site com um ar tão fresco, jovem e apelativo, nada a ver com O Tronco da Teia que conheço". Não caroleitor, não se enganou, está no sítio certo (ou talvez não). A nossa equipa de web-designers criou um novo visual para "O Tronco da Teia". O que pensam deste face-lifting, peeling e injecção de botox, tudo em simultaneo? Não se acanhem, digam de vossa justiça.


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Por Eduardo D. Madeira Jr.

domingo, dezembro 05, 2004

4:43 da tarde
Google works in misterious ways IV

Aquele post que se faz quando falta imaginação para escrever outra coisa, ou seja, mais alguns exemplos de cibernautas que chegaram a "O Tronco da Teia" através do motor de busca google:
- como sacar o jogo do harry potter
- robin hood gay
- cartas em japonês de amor
- sou bastante nostálgico
- banda desenhada + preservativo

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

4:00 da tarde
O nosso homem em Pyongyang

Há uma característica comum em quase todos os ditadores modernos: gostam de cinema. Hitler, por exemplo, bancou o trabalho da talentosa Lenni Riefenstahl, e desta parceria sairam coisas como “O Triunfo da Vontade” ou “Olympia”. Já Saddam Hussein chamou um Terence Young em decadência (entenda-se, depois do êxito nos primeiros filmes de 007) para dar uns toques na transição da sua vida para a tela, um épico de seis horas de seu nome “Ayyam al-tawila” (“The Long Days”, na versão inglesa), que era de visão obrigatória para o povo iraquiano e que nunca foi visto no ocidente – o homem que fez de Saddam foi o seu primo Saddam Kammel, que, conta a lenda, era incrivelmente parecido com o ditador, e a sua interpretação foi muito elogiada e premiada no Iraque, chegando mesmo a casar com Rina Hussein, uma filha do seu primo; o bom do Kammel lá se rebelou contra o ditador, fugiu para a Jordânia, regressou ao Iraque alguns meses depois e foi assassinado.
Kim Jong-il também é um aficcionado da sétima arte e faz tudo o que está ao seu alcance como ditador sanguinário e psicopata para impulsionar o cinema na Coreia do Norte. Antes de herdar o trono do seu pai Kim Il-Sung na autoproclamada República Popular Democrática da Coreia, o “Grande Líder”, escreveu um ensaio sobre teoria do cinema “Sobre a Arte do Cinema” (1973) e a coisa andava mais ou menos à volta do realismo socialista-estalinista com um toque musical e alguma sabedoria de Confúcio pelo meio. Aqui ficam algumas passagens, com um significado de desafiar a imaginação: “Quando um actor conhece dez elementos da verdade, deve tentar exprimir três ou quatro. Se só conhece três ou quatro mas tenta expressar dez, é como desenhar um cachorrinho quando se pretende desenhar um tigre.”
Querem mais? Aqui ficam outras pérolas de sabedoria daquele que, segundo informações recolhidas na internet (carecem de confirmação oficial), é o presidente do clube de fãs de Ava Gardner de Pyongyang. Desta vez, são conselhos aos actores. “Se um actor se achar demasiado importante apenas porque se tornou popular devido a um ou dois filmes e negligencia a sua educação ideológica e formação como actor, o seu rosto vai rapidamente desaparecer do ecrã.” E falta a parte da propaganda: “O dever básico dos creativos é criar filmes revolucionários de grande valor ideológico e artístico, que sejam contribuições válidas para equipar o povo com a armadura completa da ideologia do Partido e transmitir a toda a sociedade com o grande conceito de Juche (n.t.: também conhecido como kimilsungismo, a ideologia oficial da Coreia do Norte).”
Da teoria à prática, o maior admirador norte-coreano de Ava Gardner fez tudo para tentar criar uma indústria de cinema no seu país. O primeiro passo foi raptar um dos grandes realizadores do outro lado do Paralelo 38 para fazer um Godzilla socialista. O esforço resultou em “Pulgasari”, filme recordado hoje por “O Tronco da Teia”.

“Pulgasari”
Ano: 1985
Realização: Sang-ok Shin
Elenco: Chag Son Hui (Ami), Ham Gi Sop (Inde), Gwon Ri (Takse), Jong-uk Ri (Ana), Riyonun Ri (General Fuan), Yong-hok Pak (Rei), Pong-ilk Pak (Governador) e Kenpachiro Satsuma (Pulsagari)
Em exibição num cinema perto de si (se morar na Coreia do Norte). Se não for o caso, há uma edição VHS na amazon americana. Se algum dos nossos leitores for o feliz possuidor desta maravilha, por favor contactar de imediato “O Tronco da Teia”


A realidade ultrapassa a ficção, não é o que se costuma dizer? Poucos serão os filmes em que esta permissa seja mais verdadeira do que em “Pulgasari”. Primeiro os factos. Em 1978, Sang-ok Shin, um dos mais respeitados e populares realizadores da Coreia do Sul foi raptado, juntamente com a sua mulher, a actriz Choi Eun-he, por Kim Jong-il com o intuito de despoletar uma indústria de cinema na Coreia do Norte – mais tarde, o regime de Pyongyang negaria esta versão, dizendo que Shin, imobilizado com um pano de clorofórmio quando ia a caminho de um jantar, desertou de sua livre vontade para o norte, embora nos últimos tempos o governo norte-coreano tenha admitido o sequestro de vários cidadãos japoneses.
Segundo conta na sua autobiografia, Shin tentou, sem sucesso, fugir várias vezes nos primeiros tempos de cativeiro, o que khe valeu vários anos numa prisão, separado da mulher que julgava estar morta. Depois, foi chamado à presença do ditador para discutir projectos de filmes, ele que não andava nada contente com o cinema do seu país. Primeiro explicou a Shin e Choi que a prisão tinha sido um grande mal entendido de militares zelosos – parte desta conversa foi gravada pela mulher de Shin com um pequeno gravador.
Já integrado na máquina de propaganda norte-coreana, Shin recebeu um cheque no valor de 3 milhões de dólares (não terá sido em dólares, mas sim em moeda norte-coreana) e admitiu ter tido mais liberdade criativa do que estava à espera. Terá inclusive introduzido o primeiro beijo da história do cinema norte-coreano. Mas tudo estava sujeito à aprovação do ditador. A ideia era fazer filmes de entretenimento com conteúdo ideológico e que melhorassem a imagem do país no exterior.
Várias produções depois, chegamos a “Pulgasari”, que era para ser a grande bandeira do cinema “produced by” Kim Jong-il. Um filme de monstros tipo Godzilla, mas com um “twist” especial. Foi montada uma grande máquina de produção, foram chamados técnico dos estúdios Toho (a produtora dos filmes de Godzilla) e o homem que vestiu o fato do famoso lagarto gigante que estava sempre disposto a esmagar Tóquio. E, claro, milhares de efectivos do exército norte-coreano foram mobilizados para servir de figurantes.
Um tirano opressor mata o povo à fome, mas o povo revolta-se com a criação de uma criatura que se transforma num monstro chifrado à custa de uma alimentação à base de ferro. Até aqui tudo bem. Pulsagari parece ser uma representação do “Grande Líder” que ajuda os fracos e oprimidos numa revolução contra a classe dominante. Mas depois de consumada a vitória popular, Pulsagari (tradução livre para pequena estrela) revolta-se contra o povo e só o pedido de uma menina trava a fúria consumidora de ferro do monstro. Este final pode ser interpretado de duas maneiras, segundo escreve quem viu o filme: Pulsagari pode ser uma máquina capitalista que consome ferro e quer subjugar o povo, ou uma metáfora para o próprio Kim Il-sung, que se apoderou da revolução popular para esta servir os seus propósitos.
Shin entregou o filme a Kim Jong-il, que o entendeu como um grande triunfo e que seria um óptimo produto de exportação. Já com a total confiança de Jong-il, Chin foi a Viena tratar da distribuição europeia do filme e fugiu. Os seus filmes foram banidos da Coreia do Norte e “Pulsagari” não chegou às salas de cinema. Muitos anos depois, o filme teve uma distribuição limitada no Japão e foi um pequeno sucesso. Depois foi distribuído na Coreia do Sul e foi um grande fracasso. Menos de mil pessoas viram o filme durante uma semana de exibição em quatro cinemas de Seul.

P.S. - Se acharem que escrevi demasiado, digam. Vou tentar ser mais sucinto da próxima vez.

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Por Eduardo D. Madeira Jr.

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